fuzos prontos, afeganistão



Vinte fuzileiros participaram quinta-feira (2009-09-03) em Vila Real no exercício final das forças antes de se "estrearem" no Outono na unidade destacada no Afeganistão para proteger militares portugueses em missão de assessoria ao exército afegão.
Até agora, a “Force Protection” portuguesa era constituída apenas por comandos, tropa de elite do Exército, mas o próximo contingente vai já incluir 20 fuzileiros (elite da Marinha), que se juntam a igual número de comandos.
Bruno Pedro, um dos fuzileiros que se vai estrear na “Force Protection” em solo afegão e mesmo em missões internacionais, garantiu aos jornalistas que está preparado “exactamente” como os comandos para a missão que lhe foi confiada.
“A primeira vez é sempre a primeira, mas estamos convictos de que vamos cumprir aquilo a que nos propomos”, afirmou também, garantindo que o medo “fica sempre de parte” ao entrar no teatro de operações.
Quanto às saudades da famílias, essas – disse – “matam-se quando chegarmos”.
Embora seja comando, Leandro Almeida vai também estrear-se em missões internacionais na próxima “Force Protection” para o Afeganistão.
Contido nas palavras, admite que parte “com óbvio receio”, mas ciente de que está suficientemente preparado para o que espera.
Em teoria, os efectivos da “Force Protection” são os que mais riscos correm, cabendo-lhes, por exemplo, evacuar forças atingidas pelo rebentamento de homens-bomba, uma situação frequente no Afeganistão simulada no exercício final de Vila Real.
Mais à-vontade do que os seus colegas da “Force Protection” está Luísa Madeiras, uma militar da Força Aérea que vai cumprir a segunda missão no Afeganistão.
No ano passado integrou um destacamento a operar com um avião C-130 e, desta vez, integra um módulo de apoio.
“Pensamos sempre no risco que podemos a correr, o coração bate mais aceleradamente quando chegamos ao aeroporto, mas quando chegamos ao teatro de operações, isso (o medo) vai sendo superado”, testemunhou.
“Estamos preparados, tendo em conta o nosso aprontamento, para todo o tipo de ameaças”, garantiu, por sua vez, Santos Correia, o comandante da OMLT (Operational Mentor and Liaison Team) de Divisão a destacar para o Afeganistão.
As Forças Armadas portuguesas dão apoio à formação do exército afegão desde Maio de 2008 e têm no terreno um total de 143 homens.
Contudo, esta rotação abrange apenas 83 militares, que permanecerão no Afeganistão durante meio ano, substituindo igual número de efectivos que concluem agora uma missão de duração similar.
Além dos 40 elementos da “Force Protection” e de 16 outros membros do designado Módulo de Apoio, o contingente a enviar para o Afeganistão incluirá 16 militares a integrar na OMLT de Divisão (que irá assessor o Quartel-General de uma divisão na província de Cabul) e 11 para uma OMLT de Guarnição (em apoio de um regimento).
Todos estes militares terminam sexta-feira uma preparação conjunta de duas semanas, num treino que, segundo fonte das Forças Armadas, “tomou como referencial o ambiente operacional que se vive no Afeganistão e possíveis evoluções que o mesmo possa registar”.
O exercício, com o nome de código “Kabul 092”, confirmou a prontidão operacional dos militares, entretanto certificada pela Inspecção Geral do Exército.

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