Terça-feira, 9 de Março de 2010 Fuzileiros – Afeganistão


Hoje, neste dia normal como qualquer um, o trabalho foi feito com a normalidade que é pedida, mas houve um momento muito importante que não mais será esquecido pelas gentes do “meu sangue”, os fuzileiros aqui presentes.

Acho, ou digo eu, que seja importante, porque nesta tenra idade muitas vezes falamos ou agimos com o entusiasmo de quem sabe ser… possivelmente, com aquele entusiasmo que nos fizeram ter naquela escola á beira-rio plantada.

Não será um acto pensado mas agido por instinto!

Quando aqui chegamos éramos praticamente metade, agora somos poucos (agora mais) … a verdade é que o empenho exigido continua a ser o dado. Com altos e baixos como qualquer outra situação idêntica!

Aqui representamos um nome, aqui e por onde passamos, fardado ou á civil, carregamo-lo às costas como se nada ou um fardo fosse, é uma honra e é uma responsabilidade… por isso se usa a frase: “-se fosse fácil estariam cá outros!” A pensar assim, assim se dignifica…

Hoje houve prova como alguém se lembrou de nós, hoje soube bem e de uma forma especial posso dizer: “- Obrigado.”

Obrigado á Associação de Fuzileiros, aos seus representantes, aos seus elementos e a quem de uma forma ou de outra vive participando nessa aventura.

Estou certo que já repararam nas minhas palavras, assim como estou certo que nelas tiram conclusões…

Quero pedir a quem me lê, pense, pense quando tinha a minha idade e nela como reagiriam ou reagiram! Porque estas palavras são feitas por mim, porque estas palavras são a minha pessoa, eu.

Enfim, dá para entender, estou feliz e triste ao mesmo tempo, mas quero também deixar a mensagem, chamo-me Guilherme Boaventura e sou Homem. (pensem o que quiserem!)

Deixando de lado as mágoas de quem do “meu sangue” me dá facadas nas costas, quero voltar ao assunto do dia, a Nossa Associação de Fuzileiros, onde muitos ali vão deixar as lamentações, onde muitos ali vão deixar felicidades vividas, onde o ultramar ainda é combatido, onde o coração de muitos bate mais forte que a ondulação atlântica na vante duma dessas nossas fragatas.

“Homens de ferro em Botes de borracha.”

Quero agradecer ao Fuzileiro mais antigo (graduado) por ter iniciado da palavra, o senhor comandante Rodrigues, com a presença e autorização do senhor coronel Costeira (comandante do modulo de apoio).

Quero agradecer ao senhor cabo Lourenço por ter feito as honras de passar a vontade dos membros da associação, as palavras usadas reflectiram com certeza o desejado.

Resumindo e sem mais entrar em pormenores da cerimónia simbólica, foi dado o “grito do Fuzileiro” e como não podia faltar, de braço dado foi cantado o Hino do Fuzileiro.

Entre afinados e desafinados, o arrepio na espinha veio enaltecer o momento.

Entre mares e marés, do mar prá terra, daqui prái, eu questiono:

-Serão estas as palavras que me farão morrer na praia?

A minha resposta:

“Fuzileiro uma vez, Fuzileiro para sempre.”

O futuro e o destino, estamos nós cá para o decidir…


“Fuzos, prontos

Do mar, prá terra

Desembarcar, ao assalto

Desembarcar, ao assalto.”

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