Um segredo meu (a crise)

Ola pessoal, quero vos contar algo mas antes disso, tenho uma introdução a fazer.
Nestes últimos dias, com o decorrer da actividade politica e do estado do país, sinto um tremer estranho em mim, várias são as vezes que penso no futuro e na forma em como o encarar!
Já aqui neste meu blog disse que isto ainda agora está a começar, continuo a dizê-lo... não é no momento das medidas que tudo fica mau, é no momento do resultado. E as medidas vão levar ao fundo, o barco em que todos nós remamos!
Não pensem que serão postos os cortes por uns 2 ou 3 anos, será para sempre... basta lembrar as promessas daquilo que disseram nunca fazer e verem que afinal foi feito! Tanto na esquerda como na direita, a roleta está viciada a favor do poder bancário e comercial. E quem manda, alinha no negócio porque pessoalmente lhe convém!

O segredo:
É um daqueles dias normais em que vou a casa depois do meu oficio, estou para entrar em casa e saco da chave que está no meu bolso.
Ando até à frente da porta, com sacos na mão da roupa suja que tanto se suja e quero abrir a porta.
A chave não entra!
Olho para ela, parece intacta... sim está intacta, não a parti nem a dobrei então algo está mal.
A fechadura tinha sido mudada.
Lá dentro tinha gente, os meus pais abriram a janela... lágrimas e desespero eu vira e sentira!
A casa deixou de ser minha, nossa... - Mãe, pai, mano....ficaram com o nosso castelo!
Eu tenho esquecido com o passar do tempo, muito das coisas que aconteceram naquele dia mas há algo que eu nunca tinha feito e que foi real, aconteceu!
Pela primeira vez na vida, não fui capaz de saber estar numa situação em que pedia ser homem, não conseguia estar ali... senti raiva, apenas raiva, do que aconteceu e daquilo que foi ali passado!
Preferia não amar aquele sitio, preferia pensar que nunca tinha sido feliz ali e que a minha infância tinha acontecido num piscar de olhos!
Inventei que tinha de estar na base no dia seguinte e fugi.... fugi. Dormi num cotê (quarto) da base de fuzileiros, apenas eu e as camas vazias dos camaradas que foram ter com suas famílias naquele fim semana.
Chorei como o menino que fui, pensei em tudo, fazer errado e mais errado. Mas no momento foi o que a raiva me dizia.
De tanto chorar e apertar a almofada com os dentes serrados, adormeci de cansaço.
Novo dia, acordo com olhos inchados e dor nos maxilares... salto da cama e o primeiro pensamento foi ir ajudar os meus pais, tinha de o fazer...
Fui, quase a voar, cheguei sem nada temer e começamos a trabalhar num futuro melhor. Com cicatrizes do acontecimento espalhadas na face eles ali estavam e eu também.
Não interessa mais pormenores, apenas que o segredo da minha cobardia ajuda-me a enfrentar situações do presente e a não baixar logo os braços.

Pergunto eu, quando fiquei sem casa, o banco não poderia ter falado com o FMI?
O FMI dava-lhes o dinheiro e eu cá me resolvia com os meus pais durante mais uns tempos até voltarmos a precisar e voltarmos a pedir mais dinheiro.... tipo como o estado tem feito!
Resposta: -Não. Falhou em algo, então dá cá a casa, vão para a rua e nem me interessa como vão viver!
Pois é meus amigos, muitas são as famílias a viver assim e nem sitio para fugir elas tem!
Aconteceu comigo mas vai acontecer com outros e com casos até bem piores!

Deixo aqui um video sobre o tema, o homem fala sobre o culpado de todos estes filmes de terror.