Água de olhos de sal

Chegou aquela hora, faço inversão de marcha e conduzo devagar até à estação de serviço dos homens que apagam fogos.
Entretanto um jovem decide mostrar aos amigos como se faz parar alguém com um pequeno susto, entrando em corrida na trajectória do meu caminho, motivo de risos de paródia à minha travagem! Fui um bobo, sendo a minha vontade de acelerar, contive a raiva que me acelerou apenas o sangue e segui como se nada fosse! Mas orgulhoso de mim...
Avisto ao longe umas luzes azuis, parece ser a carrinha e como não sei se sim ou se não decido logo inverter novamente... coloco a mão ao telemóvel dos aflitos e nada sinto!
Aguardo uma resposta nas luzes que caminham na minha direcção, oiço o barulho melódico e começo a aumentar a velocidade progressivamente.
Um sinal de cabeça bastou, ligo para outro alguém que me passa uma mensagem, entramos em acordo rapidamente e vou ao seu encontro.
Juntos decidimos tomar uma medida e começamos logo ali, mas entretanto alguém faz sinal... encontrada, ela estava bem, chorava pela mãe, aflita por não saber onde era o seu norte. As nossas palavras buscavam uma tranquilidade que rapidamente se transformou num sorriso.
Ao chegarmos perto, duas senhoras exclamavam: "-É ela?"
Ao fundo, na mesma zona concessionada da situação do susto, a mãe saiu do meio de uma pequena multidão ... gritou o nome da menina e escorriam lágrimas salgadas com medo que o mar a tivesse levado.
Juntas finalmente!
Chorei por dentro e apertaram saudades da minha filha, eram já 5 dias sem a poder abraçar, cheirar, beijar...
Há coisas que poucos sabem, há coisas que poucos sentem.
Espero que o rapaz do susto tenha me visto chegar e aprendido alguma coisa,  para que a vida não lhe tenha de ensinar algo idêntico de uma pior maneira!

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